Páginas

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


A arma do apocalipse?


Dez anos após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos desenvolveram armas capazes de manipular a natureza e colocar em risco o futuro de toda a humanidade


Imagine um planeta onde algumas pessoas e países podem controlar o tempo e o clima. Nesse lugar, diversos povos já foram devastados por essas nações, detentoras do poder de criar enchentes ou fortes secas em terras vizinhas. Quando o ataque acontece, tudo que é vivo morre.

De nuclear, a guerra tradicional  passou para biológica, até chegar na climática. Dez anos após sofrer os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos já têm armas para manipular a natureza e, assim, destruir inimigos. Se você acha que isso é ficção científica, se enganou. Embora pareça absurdo, o projeto Haarp – sigla para The High Frequency Active Auroral Research Program ou Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência, em português –, controlado pela Força Aérea dos Estados Unidos e pela Marinha de Guerra, tem essa capacidade. A manipulação do clima chegou ao extremo e coloca em risco a sobrevivência da humanidade.

O Haarp é bastante polêmico e obscuro. Com sede no estado norte-americano do Alasca, o projeto, que existe desde 1990, tem como objetivo oficial ampliar o conhecimento sobre as propriedades físicas e elétricas da ionosfera terrestre. A ionosfera é a parte mais externa da atmosfera, que reflete vários tipos de sinais. Com essa manipulação das ondas de baixa frequência na ionosfera, seria possível, segundo o governo norte-americano, melhorar o funcionamento de vários sistemas de comunicação e navegação, tanto civis quanto militares. Essa justificativa não convence muitos especialistas, que acreditam que o Haarp pode se tornar uma arma de destruição em massa.



Luiz Fernando de Mattos, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), explica que a manipulação feita pelo Haarp na ionosfera pode afetar o tempo e o clima de todo o planeta. “Eu não sei dizer se o Haarp pode gerar terremotos. Mas mudanças, como secas e inundações em outras regiões, sim”, afirma. Segundo Mattos, a América do Sul possui uma anomalia magnética na parte da ionosfera que cobre o continente. “Para afetar o clima daqui, o Haarp teria que funcionar a pleno vapor, o que é complicado. Por isso, podemos dizer que a América do Sul está protegida quanto aos efeitos do projeto”, completa. Estudos relacionados à manipulação da ionosfera por ondas de rádio não são novos: o inventor sérvio Nikola Tesla fez as primeiras experiências em 1899 e foi o gênio inspirador de Dennis Papadopoulos, o físico que dirigiu a construção do Haarp nos Estados Unidos. No início dos anos 1960, a antiga União Soviética construiu uma parede de antenas com o objetivo de usá-la como arma na Guerra Fria – e de fato usou contra submarinos
norte-americanos.

Quanto a uma possível guerra climática, onde países usariam a tecnologia para causar inundações e secas em outras nações, em busca de maior poder econômico, o pesquisador destaca que esse tipo de acontecimento já ocorre há 60 anos e que a Organização das Nações Unidas (ONU) condena a prática. Mattos cita um artigo publicado em julho de 2010 no site Global Research, organização de pesquisa independente com sede no Canadá, para destacar a manipulação do clima com fins militares: “Em um simpósio internacional realizado em maio de 2010 em Ghent, na Bélgica, cientistas afirmaram que ‘a manipulação do clima por meio da modificação das nuvens não é nenhuma brincadeira, nem teoria da conspiração’. É um fato ‘totalmente operacional’, com uma sólida história de 60 anos. Apesar de a modificação ‘hostil’ ambiental ter sido proibida pela Convenção das Nações Unidas em 1978, o seu uso ‘amigável’ hoje está sendo saudado como o novo salvador frente às alterações climáticas e à escassez de água e alimentos. O complexo militar-industrial está preparado para capitalizar e controlar o clima do mundo”, diz o artigo.


Para o engenheiro elétrico norte-americano Brooks Agnew, especialista em ondas de baixa frequência, como as do Haarp, é de conhecimento geral que o projeto pode modificar zonas de pressão, com a manipulação da ionosfera, e, assim, controlar as chuvas de um determinado local. “Eu não duvido que o Haarp possa ser usado como manipulador de clima. Faz mais de 20 anos que estudo ondas de baixa frequência e sabemos que, em se tratando de ressonância, essas ondas podem movimentar as placas tectônicas abaixo da terra e causar grandes terremotos”, explica o cientista.

“Uma vez, fazendo uma experiência próximo a Portland, no Oregon (EUA), ligamos transmissores dessas frequências e imediatamente a terra começou a tremer. Isso pode acontecer; o que não pode acontecer são as pessoas utilizarem esta tecnologia para ameaçar nações, ou durante uma guerra”, completa.

Fonte: Redação Universal (redacao@folhauniversal.com.br)

Nenhum comentário: