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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Tropa de Elite 2" quebra recordes logo na estreia

Filme pode chegar ao recorde de "Avatar"

A julgar pelo seu primeiro final de semana de exibição, “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” caminha a passos largos para se tornar o filme brasileiro com melhor público do ano. O longa metragem foi visto por 1,295 milhão de espectadores e arrecadou quase R$ 14 milhões, superando os números de estréia de “Chico Xavier” (590 mil) e “Nosso Lar” (580 mil). Cada um já atraiu para os cinemas cerca de 3,4 milhões de espectadores, marca que deve ser facilmente alcançada pelo filme de José Padilha. Há a expectativa, inclusive, de que o público total chegue próximo a “Avatar”, com 9,1 milhões de bilhetes vendidos.

Houve uma verdadeira operação de guerra para proteger o lançamento de “Tropa de Elite 2”, por conta do ocorrido com o primeiro filme, que era fartamente encontrado nas bancas de camelôs, antes de ter chegado aos cinemas. Partes da nova produção foram editadas e finalizadas em locais diferentes. Imagens e áudio só foram reunidos poucos dias antes da estréia. A produção consumiu R$ 16 milhões e cerca de dois anos para ficar pronta. Mas valeu a espera pois “Tropa de Elite 2” é ainda melhor que o primeiro.

Se antes escolheu a classe média como financiadora do tráfico de entorpecentes, o diretor Padilha agora tem como alvo o sistema de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O agora Coronel Nascimento (Wagner Moura, mais uma vez brilhante!), promovido a Sub Secretário de Inteligência, fortalece o Batalhão de Operações Especiais – BOPE na luta contra o tráfico de drogas. Aos poucos, porém, ele percebe que com isso está ajudando aos seus verdadeiros inimigos, os policiais corruptos interessados em faturar politicamente com o seu trabalho. Uma série de acontecimentos o colocará em rota de colisão com o que ele chama de “o sistema”.

O filme é uma “bordoada no estômago”, principalmente se pensarmos que foi todo ele baseado em fatos reais. É fácil fazer um paralelo entre os personagens fictícios e reais, como Fraga (Irandir Santos), o ativista dos direitos humanos que se elege deputado; Fortunato (André Mattos), o apresentador de TV sensacionalista que também consegue atingir seus objetivos políticos; ou Russo (Sandro Rocha), o policial corrupto que forma sua própria milícia para explorar o vazio deixado pelos traficantes no morro.

Parafraseando certo político, “Tropa de Elite” desperta nossos desejos mais primitivos. Assim como na última cena do primeiro filme, quando nos vemos torcendo para que o Capitão Nascimento puxe o gatilho para executar um traficante, é impossível não delirar quando o personagem de Moura arranca o Secretário de Segurança de dentro do seu carro blindado e o espanca sem dó. Quem nunca teve vontade de fazer isso com “o sistema”, que atire a primeira pedra.

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