Páginas

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Chumbo nas represas da Grande SP é 8 vezes maior do que limite

Metais como chumbo, zinco e cobre foram encontrados em grande quantidade nos sedimentos das represas Billings e Guarapiranga, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), conforme apontam pesquisas do Instituto de Biociências da USP. No sedimento do braço Rio Grande, parte do Complexo Billings, dados demonstraram teores de concentração de cobre nove vezes acima dos níveis recomendados pela Agência Canadense de Meio Ambiente (ACMA). Já no caso do chumbo os níveis ultrapassaram o recomendado em até oito vezes. Sedimentos acima desses níveis podem ser tóxicos.

Para o professor Marcelo Pompêo, coordenador das pesquisas, é preciso melhor sistema de gestão dos recursos hídricos e intensificação do monitoramento dos sedimentos. “O processo de gestão das bacias hidrográficas não está sendo muito bom. A tendência é de piora no sedimento e na qualidade da água. Será necessário termos estações (de tratamento) cada vez mais caras e que esse custo seja repassado à população. Aliás, é possível tratar qualquer água, para que ela fique potável. Porém, o processo tem um custo alto”, diz, informando que a Sabesp é o principal órgão a lançar sulfato de cobre nessas águas.

“O sulfato de cobre é um algicida, inibe o crescimento de algas, como as cianobactérias, potencialmente tóxicas. Este procedimento deveria ser paliativo e não frequente, como é feito pela Sabesp. Seria preciso um sistema de gestão e de coleta de efluentes domésticos e industriais. É mais barato prevenir do que usar um mecanismo paliativo”, pondera.

De acordo com ele, a presença de metais pesados é comum nos sedimentos. Entretanto, a presença exagerada está relacionada à ação humana. “Quando sai do padrão demonstra mudanças na ocupação do entorno, ou seja, o impacto na represa”, diz. Para Pompêo, um grupo científico poderia ser criado para monitorar, com relatórios bimestrais, água e sedimentos, fazendo testes de toxidade. “A preocupação é que estão surgindo novos contaminantes, por isso a importância de estudos frequentes.”

Sabesp garante seguir requisitos nacionais

A Sabesp declarou que a eventual presença de metais pesados nos sedimentos das represas não compromete a qualidade da água. A companhia diz atender a todos os requisitos exigidos pela portaria 518 do Ministério da Saúde, que regula os parâmetros de qualidade da água.

De acordo com a Sabesp, mensalmente, são encaminhados relatórios de qualidade da água à Vigilância Sanitária e, anualmente,  a todos os seus consumidores, um relatório de qualidade detalhado da água. Informa ainda que “a água fornecida pela Sabesp atende a todos os parâmetros de potabilidade definidos pelo Ministério da Saúde”.

Nenhum comentário: